sexta-feira, 5 de abril de 2013

TOPÓ 3 – O BRUXO


– O BRUXO

Não passe sem olhar
Não olhe sem entrar
Não entre sem cortar
Não corte sem pagar
Barbearia Topó

Nunca achei uma palavra que definisse TOPÓ. Ele tinha um modo particular de dirigir-se a todas as pessoas. Tratava com todos de todas as idades e sexo. Não havia distinção de tratamento. Qualquer um recebia o mesmo tratamento. Não permitia privilégios. Seria atendido quem primeiro chegasse. Logo todo mundo gostava dele.

Ainda moleque ele me deu uma notícia:

- Gordo (eu era magro), você vai ficar careca (eu tinha muito cabelo nessa época)!

Lembro que perguntei pra ele se isso era notícia que um barbeiro desse a um cliente.

Mas, havia uma atitude que eu achava chato na hora, engraçada depois, e que ele repetia com frequência.

Ao passar uma grávida, ele parava o atendimento ao cliente que estivesse sentado, batia a tesoura que é um agir comum dos barbeiros, e saía até ela. Quem estivesse sentado ficava esperando o barbeiro belenense fazer suas relações públicas e marketing. Ele falava com todos e é claro com aquele futuro cliente ainda no ventre da mãe. Por isso eu o chamava de bruxo. Era como se quisesse hipnotizar a criança (eu dizia para ele). Após nascer, quando precisasse cortar cabelo o moleque já “saberia” a quem procurar. A qual barbearia dirigir-se.

Ele apenas ria sorriso curto. Nunca reclamou das bobagens que dizia pra ele.

Lá só não era permitido perguntar preços dos serviços como eu fazia sempre:

Cabelo tá quanto?

E barba?

Hummm

E pentelho Topó?

Como ele dizia em tom mais sério:

- pentelho é de graça gordo.

- Fulano, pegue o álcool e fósforo...


OZEAS RAMOS




: TOPÓ PARTE 1

: TOPÓ PARTE 2

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